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ARTIGOS
Negócio próprio: o sucesso tem um
preço
Preços altos: mito e realidade
Negócio
próprio: o sucesso tem um preço
Possuir um negócio
próprio tem sido o grande sonho de uma parcela significativa da
população brasileira.
Diversos motivos justificam este interesse pela atividade
empresarial. Os mais freqüentes são: desejo de liberdade,
vontade de ganhar mais dinheiro, necessidade de realização
profissional, falta de oportunidade de trabalho e preenchimento
de tempo livre.
Apesar do interesse pela atividade empresarial, as estatísticas
mostram um quadro nada otimista: 90% das pequenas empresas fecham
suas portas antes do primeiro ano de vida. Dos 10% restantes,
apenas 20% chegam ao quinto ano de vida. Assim, de cada cem
empresas abertas, somente duas estarão abertas cinco anos
depois.
Diversas pesquisas têm sido realizadas para explicar as causas
desse percentual tão elevado de insucesso. Todas elas apresentam
as mesmas conclusões, mostrando que os principais motivos do
problema estão na falta de habilidade administrativa do
empreendedor.
O índice de mortalidade de empresas também é elevado nos
Estados Unidos, embora menor do que no Brasil. Na Europa
ocidental, este índice já é bem mais reduzido porque os
governos não permitem que se abra uma pequena empresa sem antes
fazerem um curso de iniciação empresarial.
Com o agravamento do problema do desemprego no Brasil, tornar-se
empresário tem sido a opção buscada para muitas pessoas
desempregadas ou por aquelas que se sentem inseguras em seus
postos de trabalho.
Também é freqüente o caso de pessoas que aderem a programas de
demissão voluntária para investir o dinheiro recebido num
negócio próprio. Algum tempo depois, muitas dessas pessoas
vêem seu dinheiro se evaporar num negócio fracassado e voltam a
procurar emprego.
É sabido que a atividade empresarial se caracteriza pela
incerteza. No mercado financeiro sem risco, a taxa histórica de
retorno real a longo prazo é de 8% ao ano. Uma empresa bem
sucedida em qualquer lugar do mundo remunera o capital nela
investido em 15% ao ano. Estes sete pontos percentuais a mais
esperados para a atividade empresarial é um bom prêmio e é
justificado pelo grande risco empresarial.
Para conquistar esse prêmio, o empresário precisa, entretanto,
atender a alguns requisitos: vocação para a atividade
empresarial, liderança, criatividade, tolerância ao risco e
capacidade administrativa representada pela habilidade para
organizar, planejar, controlar e dirigir o negócio.
O objetivo da atividade de planejamento de um negócio é reduzir
a incerteza e não eliminá-la. Com um adequado planejamento, o
empresário pode evitar decisões com erros previsíveis. Sem
planejamento, muitos negócios já nascerão fadados ao fracasso,
independente de qualquer imprevisto.
O improviso e o empirismo não têm mais lugar nos dias de hoje.
Por menor que seja o negócio, as funções gerenciais básicas
de planejamento, organização e controle precisarão ser
exercidas. É uma situação bem diferente daquela enfrentada
pelos empreendedores pioneiros, quando a simples iniciativa de
abrir um negócio já lhes garantia clientes e lucros.
Fazendo uma analogia com o futebol, podemos dizer que numa
pequena empresa, o dono precisa saber jogar nas onze posições.
É um quadro bem diferente da grande empresa, onde seus titulares
não precisam entender de tudo já que podem contratar
profissionais e delegar poderes para que executem as tarefas
necessárias ao bom desempenho da empresa.
Na pequena empresa, mesmo a usual divisão do trabalho entre dois
sócios não ajudará muito caso eles não tenham um conhecimento
completo das principais funções da empresa (operação,
produção, vendas, compras, finanças e pessoal).
Sendo o Brasil um país com uma grande população e ainda não
desenvolvido, oferece um amplo leque de oportunidades para todo o
tipo de negócios. Este potencial econômico só é encontrado
atualmente em poucos países e, por este motivo, tem provocado um
crescente interesse dos capitais internacionais em investir em
nosso país. Isto significa maior concorrência e, portanto,
maior necessidade de preparo por parte do empresário brasileiro.
Do ponto de vista sócio-econômico, as pequenas empresas têm
uma grande importância, tendo em vista que geram aproximadamente
70% de todos os empregos no país. Este fato já seria um motivo
suficiente para que tivessem, como ocorre nos países
desenvolvidos, um maior apoio por parte do governo.
O apoio tributário hoje existente ainda é insuficiente na
medida em que o setor de serviços, grande absorvedor de
mão-de-obra, está fora do Simples. O apoio creditício
efetivamente não ajuda porque tem um custo muito alto. Uma forma
de apoio eficaz seria a criação de um extenso programa de
capacitação gerencial (o atual não cobre todas as necessidades
), começando ainda nos bancos escolares.
No cômputo geral, as perspectivas para quem abre um negócio no
Brasil são bastante promissoras, principalmente para quem segue
dois mandamentos básicos:
- Utilizar o mínimo de capital de terceiros, pelo menos enquanto
as taxas de juros reais dos financiamentos estiverem acima de 8%
ao ano. (Tudo indica que tão cedo, o atual quadro de juros altos
no financiamento final não mudará).
- Fazer um investimento prévio de tempo e dinheiro em sua
capacitação empresarial.
O prêmio reservado aos seguidores desses preceitos pode ser
bastante compensador.
Preços
altos: mito e realidade
Como é de amplo
conhecimento, os preços praticados no Brasil são, em boa parte,
superiores àqueles observados nos países desenvolvidos, onde os
salários são bem maiores do que os nossos.
As
explicações para o fato, embora variadas, geralmente são
relacionadas a fatores externos à empresa e, portanto, fora de
seu controle direto. A justificativa mais usual é que temos uma
carga tributária elevada e um nível estratosférico de juros.
Uma análise mais acurada da questão mostra que embora a carga
tributária e os juros altos contribuam para o alto nível de
alguns preços no país, esses fatores não são os únicos
responsáveis pelo problema.
Outras causas dos preços altos estão no âmbito da própria
empresa. Entre elas merecem destaque a prática de altas margens
de lucro unitário e custos de operação e produção elevados.
Uma política de preços centrada em altas margens de lucro
unitário tem duas falhas importantes: ignora o retorno sobre o
investimento como medida de avaliação de desempenho e contribui
para distorcer a apuração dos custos.
A alta margem de lucro por unidade de produto vendida não
implica, necessariamente, em alto retorno sobre o investimento
efetuado na empresa. Este é o parâmetro de avaliação de
desempenho realmente significativo. Dado um determinado valor de
investimento, o retorno dependerá da margem de lucro e do volume
de vendas. Com muita freqüência, as empresas praticam altas
margens de lucro e têm como resultado percentuais normais de
retorno sobre o investimento. No Brasil, apesar das altas margens
de lucro unitário praticadas pelas empresas, a taxa de retorno
sobre o investimento é similar às verificadas em outros
países, em torno de 10 a 15% ao ano sobre o patrimônio
líquido.
Os altos preços decorrentes da opção por altas margens de
lucro unitário causam diminuição do volume de vendas e, em
consequência, uma menor utilização da capacidade de
produção. Habitualmente as empresas consideram o volume
efetivamente produzido - e não a capacidade instalada - como
base para apuração dos custos. Assim, um menor volume de vendas
acarreta um aumento no custo fixo unitário apurado que por sua
vez influenciará o preço de venda, formando um ciclo vicioso.
Portanto, quando a empresa adota altas margens de lucro unitário
na fixação de seus preços, obtém, na melhor das hipóteses,
um retorno normal, às custas de um maior preço e menor volume
de vendas .
Muitos anos
de inflação alta, controle de preços e economia fechada
contribuíram para que a administração de custos das empresas
não fosse uma tarefa prioritária.
As altas taxas de inflação impediam que os consumidores
fizessem uma adequada avaliação dos preços. Num determinado
mês, um preço já não era comparável diretamente com o do
mês anterior. Era necessário atualizar monetariamente o preço
mais antigo para poder fazer a comparação. Este processo
praticamente impedia que o consumidor tivesse uma memória de
preços.
Durante o período em que vigorou o controle de preços na
economia, a preocupação de muitas empresas com seus custos se
resumia em obter do Conselho Interministerial de Preços (CIP) a
homologação de sua planilha. O problema não era ter custos
altos e sim comprová-los perante a autoridade reguladora.
Enquanto a economia esteve fechada ao exterior, o mercado
doméstico estava protegido da concorrência internacional.
Então, diante de um mercado cativo, era possível para muitas
empresas fixar seus preços com base no custo de produção (nem
sempre corretamente apurado) acrescido de uma margem de lucro. Se
os custos estavam altos, o problema era do comprador. Onde existe
competição, a equação de preço e custo tem outra forma: o
custo precisa ser igual ao preço de mercado menos a margem de
lucro.
Os fatores assinalados tornaram a maior parte dos preços no
Brasil excessivamente altos. Algumas empresas costumam justificar
essa situação com um argumento falacioso: cobram um
sobre-preço pela qualidade de seus produtos. Por causa dessa
prática, muitas empresas, algumas quase centenárias, outrora
líderes absolutas em seus mercados, ruíram. Outras caminham a
passos largos para o mesmo destino.
Alguns setores econômicos já perceberam o problema e fizeram
seu ajuste: reduziram os preços através do enxugamento de
custos, diminuição das margens de lucro ou sacrifícios
maiores.
Num processo de
gerenciamento de custos, o fator tempo tem uma importância
crucial. A redução de custos costuma ser bem sucedida quando é
espontânea, efetuada antes da crise se abater sobre a empresa.
Sob a pressão de um mercado minguante ou de um caixa
deficitário, as tentativas desesperadas de redução de custos
costumam se concentrar em cortes de pessoal ou redesenho do
organograma. Trata-se de ação sobre os custos fixos e que em
alguns casos tem provocado distúrbios no processo de produção
ou de operação. Uma redução de custos eficaz também envolve
os custos variáveis, e, por isso, é um processo mais lento,
embora de resultados mais duradouros.
O mercado brasileiro está ávido por empresários com o ideário
que desde Henry Ford tem acompanhado os vencedores permanentes:
vender mais por menos. Reduzir preços - estejam eles inflados
por impostos, juros, custos altos ou miopia gerencial - tem
sido uma questão de sobrevivência para as empresas.
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