Palestras: Planejamento Financeiro Pessoal                      Redução de Custos

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FINANCIAMENTOS

Na contratação de um financiamento empresarial, alguns fatores são de fundamental importância para que a decisão seja bem sucedida. Esses fatores são os seguintes:

1. Custo

A justificativa econômica para o uso de capital de terceiros baseia-se no conceito de alavancagem financeira.

A alavancagem financeira é positiva  quando a utilização de capital de terceiros produz uma rentabilidade do capital próprio maior do que a rentabilidade do capital total. 

Se a rentabilidade do capital próprio for menor do que a rentabilidade do capital total, a alavancagem financeira é negativa.

Para haver alavancagem financeira positiva é necessário que o custo do capital de terceiros seja menor do que o retorno gerado pelo capital total (ativos).

No Brasil, em virtude das elevadas taxas de juros, muitas empresas se defrontam com alavancagem financeira negativa. Significa que a rentabilidade do capital próprio é menor do que a rentabilidade que seria obtida caso não houvesse endividamento.

As planilhas seguintes ilustram os casos de alavancagem neutra (empresa sem endividamento), alavancagem negativa (com endividamento de 50% a uma taxa de juros maior do que o retorno dos ativos) e alavancagem positiva ( com endividamento de 50% a uma taxa de juros menor do que o retorno dos ativos). Nos três casos foi considerado que as empresa está no sistema de lucro presumido ou no  Simples. Esta hipótese implica que o endividamento não traz benefício fiscal decorrente do pagamento de juros.

a) Alavancagem neutra

O fluxo de caixa da empresa X , sem dívida, proporciona uma taxa interna de retorno de 15,1% ao ano.

SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO: LUCRO PRESUMIDO OU SUPER SIMPLES   
               
FLUXO DE CAIXA EM BASE ANUAL - R$ 1.000,00
               
0 1 2 . . . 9 10
               
VALOR DO INVESTIMENTO  1.000,00              
               
GRAU DE ENDIVIDAMENTO 0,00%              
               
1. ENTRADAS DE CAIXA                
 ENTRADAS DE CAIXA POR VENDAS   500 500       500 500
FINANCIAMENTO 0              
TOTAL DAS ENTRADAS DE CAIXA 0 500 500       500 500
2. SAÍDAS DE CAIXA                
INVESTIM. EM MÁQUINAS E EQUIP. -1000              
SAÍDAS DE CAIXA C/DESP. OPERAC.   -300 -300       -300 -300
AMORTIZAÇÃO DE FINANCIAMENTO   0 0       0 0
PAGAMENTO DE JUROS   0 0       0 0
TOTAL DAS SAÍDAS DE CAIXA -1000 -300 -300       -300 -300
               
FLUXO DE CAIXA -1000 200 200 . . . 200 200
               
TAXA INTERNA DE RETORNO 15,10%              

b) Alavancagem negativa

Os mesmos dados operacionais da empresa X , agora financiando 50% do seu capital com recursos de terceiros que custam 30% ao ano,  proporcionam uma taxa interna de retorno de apenas 4,24% ao ano.

 

SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO: LUCRO PRESUMIDO OU SIMPLES           
                 
  FLUXO DE CAIXA EM BASE ANUAL - R$ 1.000,00
                 
0 1 2 . . . 9 10
               
VALOR DO INVESTIMENTO  1.000,00              
TAXA DE JUROS ANUAL 30,00%              
GRAU DE ENDIVIDAMENTO 50,00%              
               
1. ENTRADAS DE CAIXA                
 ENTRADAS DE CAIXA POR VENDAS   500 500       500 500
FINANCIAMENTO 500              
TOTAL DAS ENTRADAS DE CAIXA 500 500 500       500 500
2. SAÍDAS DE CAIXA                
INVESTIM. EM MÁQUINAS E EQUIP. -1000              
SAÍDAS DE CAIXA C/DESP. OPERAC.   -300 -300       -300 -300
AMORTIZAÇÃO DE FINANCIAMENTO   -50 -50       -50 -50
PAGAMENTO DE JUROS   -150 -135       -30 -15
TOTAL DAS SAÍDAS DE CAIXA -1000 -500 -485       -380 -365
               
FLUXO DE CAIXA -500 0 15

.

. . 120 135
               
TAXA INTERNA DE RETORNO 4,24%              

c) Alavancagem positiva

Os mesmos dados operacionais da empresa X , agora financiando 50% do seu capital com recursos de terceiros que custam 9% ao ano (essa taxa poderia ser obtida com um financiamento do BNDES, já incluídos os spreads) proporcionam uma taxa interna de retorno de 19,9% ao ano.

SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO: LUCRO PRESUMIDO OU SIMPLES   
                 
  FLUXO DE CAIXA EM BASE ANUAL - R$ 1.000,00
                 
0 1 2 . . . 9 10
               
VALOR DO INVESTIMENTO  1.000,00              
TAXA DE JUROS ANUAL 9,00%              
GRAU DE ENDIVIDAMENTO 50,00%              
               
1. ENTRADAS DE CAIXA                
 ENTRADAS DE CAIXA POR VENDAS 500 500       500 500
FINANCIAMENTO 500              
TOTAL DAS ENTRADAS DE CAIXA 500 500 500       500 500
2. SAÍDAS DE CAIXA                
INVESTIM. EM MÁQUINAS E EQUIP. -1000              
SAÍDAS DE CAIXA C/DESP. OPERAC. -300 -300       -300 -300
AMORTIZAÇÃO DE FINANCIAMENTO -50 -50       -50 -50
PAGAMENTO DE JUROS   -45 -40,5       -9 -4,5
TOTAL DAS SAÍDAS DE CAIXA -1000 -395 -391       -359 -355
               
FLUXO DE CAIXA -500 105 110 . . . 141 146
               
TAXA INTERNA DE RETORNO 19,90%              


2. Risco de taxas de juros

Os financiamentos podem ser contratados a taxas de juros prefixadas ou pós-fixadas. As taxas prefixadas permanecem inalteradas ao longo de todo o prazo de financiamento. Esta característica sugere que as taxas prefixadas não têm risco. Entretanto, se um financiamento for contratado a uma taxa prefixada num momento em que as taxas de juros estiverem elevadas, reduções posteriores nessa taxa de juros não beneficiarão o tomador.

As taxas de juros pós-fixadas são do tipo flutuante e, assim, possuem um maior potencial de risco.

A proteção contra o risco de taxas de juros pode ser realizada diretamente nos mercados futuros ou através de uma instituição financeira. Quando a volatilidade das taxas de juros é elevada, a eficácia das operações de proteção (hedge) fica bastante comprometida. Seus custos se elevam e o potencial de cobertura de risco se reduz.

3. Risco da taxa cambial

Quando a dívida é contratada em moeda estrangeira, o tomador incorre no risco cambial. O risco cambial associado a um financiamento pode ser administrado através de operações de hedge nos mercados futuros ou junto a uma instituição financeira. O custo do hedge pode se tornar muito alto e ineficaz caso haja excessiva flutuação da taxa de câmbio.

Existe um outro risco relacionado com a taxa cambial. Ele decorre da flutuação, em relação ao dólar norte-americano, da moeda em que o financiamento foi contratado. Por exemplo, um financiamento contratado em iene, pode se encarecer ainda que a taxa cambial R$/U$ permaneça estável, caso a  moeda japonesa se valorize em relação à moeda americana.

4. Cronograma de pagamento

O cronograma de pagamento de um financiamento, principalmente quando este é de longo prazo, deve estar atrelado ao fluxo de caixa do projeto suportado por esse financiamento. Quando isto acontece, dizemos que o financiamento observa o conceito de project finance.

Nos mercados de capitais dos países desenvolvidos, devido à abundante oferta de crédito, é bem mais fácil contratar financiamentos dentro da filosofia de project finance.

5. Efeito sobre os índices de endividamento

A contratação de um financiamento aumenta o grau de endividamento da empresa e este fato pode afetar negativamente a avaliação desta.

Desse modo, índices elevados de endividamento podem dificultar a obtenção de crédito comercial (financiamento concedido pelos fornecedores) e restringir a obtenção de novos financiamentos bancários de curto e de longo prazo.

Uma alternativa para evitar o aumento do grau de endividamento é a utilização do leasing em substituição aos financiamentos tradicionais. Esta solução é naturalmente limitada porque só atende a parte das necessidades de financiamento.

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