Palestras: Planejamento Financeiro Pessoal                      Redução de Custos

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PLANEJAMENTO FINANCEIRO

1. Fluxo de caixa financeiro

2. Depreciação acelerada

3. Práticas financeiras consagradas
 

1. Fluxo de caixa financeiro

O fluxo de caixa financeiro é o instrumento de planejamento mais utilizado pelas empresas de todos os portes no mundo inteiro.

O objetivo básico do fluxo de caixa é projetar as disponibilidades financeiras da empresa, produzindo informações necessárias à programação da captação de recursos financeiros, otimização das aplicações de sobras de caixa, gerenciamento do contas a pagar, avaliação do impacto de variações de custos e preços, entre outras decisões importantes.

Características do fluxo de caixa

a) É elaborado geralmente em base diária, com um período de cobertura de um mês corrido. Por exemplo, o fluxo de caixa do dia 10 de abril de 2.000 cobre o período entre esta data e o dia 10 de maio. No dia 11 de abril, o fluxo de caixa elimina os dados do dia 10 de abril (já é passado), introduz os dados do dia onze de abril e acrescenta as projeções referentes ao dia onze de maio.

b) Utiliza o método direto para obtenção dos dados, onde eles são desvinculados dos números gerados pela contabilidade. Esses dados são obtidos a partir de estimativas de entradas e saídas de caixa oriundas, principalmente, das áreas de contas a receber, vendas, contas a pagar, compras e contratos.

c) Não se confunde com orçamento de caixa, que é um instrumento de acompanhamento e controle de metas elaborado usualmente em base anual e vinculado às projeções de resultado para o mesmo período.

d) É distinto do demonstrativo contábil denominado Fluxo de Caixa. Este informa o que aconteceu em termos de movimentação acumulada de caixa (geralmente ao longo de um ano) no exercício a que se referem as demonstrações contábeis.

e) Retrata a efetiva situação de caixa da empresa, já que seus números representam disponibilidades bancárias, numerário ou aplicações financeiras de resgate imediato.

Recomendações para um bom gerenciamento do fluxo de caixa

a) Objetivo: o fluxo de caixa deve ter por objetivo informar as projeções das disponibilidades financeiras da empresa. Outras funções como controle ou acompanhamento de pagamentos e recebimentos não devem ser atribuídas ao fluxo de caixa.

b) Formato dos saldos de caixa: O fluxo de caixa ideal não deve conter saldos muito variados. Flutuações expressivas nos saldos de caixa, alternando valores positivos e negativos, acarretam desvantagens financeiras e operacionais. As desvantagens financeiras ocorrem porque, no Brasil, a taxa de captação é muito maior do que a taxa de aplicação de recursos financeiros. Assim, quando o fluxo de caixa está positivo, a empresa ganha pouco nas aplicações financeiras e quando está negativo, paga muito para se financiar. As desvantagens operacionais acontecem porque as bruscas oscilações submetem a tesouraria a fortes pressões de trabalho, degradando as condições de trabalho e aumentando as possibilidades de erros. (Veja no final uma análise dos efeitos de um fluxo de caixa com variações de saldo).

c) Grau de precisão: por ser um instrumento de planejamento, o fluxo de caixa está sujeito a uma natural incerteza. Considera-se aceitável uma margem de erro em torno de 15% nas projeções do fluxo de caixa. Por isso, o fluxo de caixa deve buscar esta meta de acerto. Do contrário, tenderá a se tornar mais um dos muitos relatórios burocráticos existentes na organização.

d) Utilizar as técnicas de cenários: o fluxo de caixa tradicional trabalha com uma única estimativa. Apesar de útil, este tipo de informação restringe a tomada de decisão. Uma maneira de melhorar a aplicabilidade das projeções do fluxo caixa é utilizar ao mesmo tempo três estimativas: a otimista, a provável e a pessimista. Assim, as decisões poderão ser tomadas com mais convicção com base numa faixa de valores (entre um mínimo e um máximo).

e)Utilizar técnicas estatísticas: parte da incerteza sobre os dados dos fluxo de caixa pode ser contornada com o uso de técnicas estatísticas simples. Por exemplo, as médias móveis de inadimplência por classe de clientes é um poderoso auxílio na projeções de entradas de caixa.

f) Limitar o valor do item "diversos": o item "diversos" - tanto de entradas como de saídas de caixa - não deve ultrapassar 10% do respectivo total de entradas e saídas de caixa. Este cuidado evita ter no fluxo de caixa um dado de valor substancial, sem identificação específica, o que comprometeria a utilidade da informação.

g) Aplicação das sobras de caixa: a melhor aplicação para as sobra de caixa é a antecipação de pagamento aos fornecedores ou o financiamento de clientes. Através de uma política bem negociada de descontos e juros, a empresa pode conseguir taxas de aplicação e seus fornecedores e clientes obtêm taxas de captação bem mais vantajosas do que no sistema financeiro.

h) Adequado gerenciamento do sistema de informações: o fluxo de caixa é um grande sistema de informações para o qual convergem os dados financeiros gerados em diversas áreas da empresa. A maior dificuldade para se ter um fluxo de caixa realmente eficaz é gerenciar adequadamente este sistema de informações. Quando a área financeira da empresa é forte, esta dificuldade é mais fácil de ser contornada. Se isto não acontece, o gestor financeiro precisará se transformar no "embaixador" da informação e negociar com todas as áreas geradoras de dados para o fluxo de caixa, de modo a obter a necessária qualidade para esses dados.

Causas da divergência entre geração de lucro e geração de caixa

A importância do fluxo de caixa também é devida à natural divergência entre geração de lucro e geração de caixa. As causas dessas divergências são as seguintes:

1. Causas de geração de caixa sem geração de lucro

a) O custo dos produtos vendidos foi avaliado a preço de reposição.

b) A geração de caixa foi obtida pela depreciação.

c) A geração de caixa é resultado de liquidação de estoques com prejuízo.

d) O desembolso do custo ocorrerá no futuro (exemplos: desvalorização cambial, multa sobre FGTS de empregados a serem demitidos).

2. Causas de geração de lucro sem geração de caixa

a) A receita está aplicada em contas a receber.

b) O lucro é decorrente de ganhos sobre carteira de títulos não vendidos.

c) O lucro foi gerado pela valorização de participações acionárias não vendidas.

Requisitos de informática para o fluxo de caixa

Apesar de sua grande utilidade e de lidar com uma expressiva massa de dados, o fluxo de caixa não exige grandes recursos de informática para sua operação.

A rigor, qualquer planilha eletrônica poderia ser utilizada para desenvolver e operar o fluxo de caixa, já que o processamento matemático envolvido é bastante simples. Esta simplicidade também se estende às necessidades de hardware para operar o fluxo de caixa.

Dependendo da arquitetura dos dados a serem utilizados pelo fluxo de caixa, rodá-lo num banco de dados poderia facilitar a importação e integração dos dados já existentes em outros sistemas corporativos.

Em termos de softwares prontos há uma grande oferta no mercado e a maior dificuldade é identificar aquele que melhor atende às necessidades específicas da empresa.

Conclusão

De tudo o que foi exposto, pode-se concluir que o fluxo de caixa é uma simples, mas extremamente útil e poderosa ferramenta de planejamento financeiro. Com a observação de alguns princípios, ele poderá trazer benefícios significativos para a organização. Também dispensa grandes investimentos em informática para poder operar satisfatoriamente. De fato, a principal condição para o sucesso do fluxo de caixa é a existência de uma cultura de planejamento na empresa. E como recomendação final, deve planejar quem faz.

2. Depreciação acelerada - benefício econômico

Quando a empresa é tributada pelo lucro real, a depreciação acelerada - se permitida pela legislação - proporciona um ganho econômico para a empresa que a utiliza.

O total do imposto de renda a ser recolhido é o mesmo, com ou sem depreciação acelerada. O ganho obtido com a depreciação acelerada é proporcionado pela alteração na distribuição do fluxo de lucro tributável da empresa.

O fluxo de lucro tributável decorrente da depreciação acelerada proporciona um valor presente para o imposto de renda menor do que o valor presente do fluxo de lucro tributável sem a depreciação acelerada. Um menor valor presente de imposto de renda significa menor valor presente de custo.

Os quadros seguintes ilustram a análise econômica da depreciação acelerada:

Dados hipotéticos:

Valor depreciável: 1.000,00

Vida útil normal (anos) 10

Vida útil com depreciação acelerada (anos): 2

Lucro líquido antes da incorporação do equipamento: 500

1. Imposto de renda com a depreciação normal

  1 2 3 4 5    
Ano Lucro Depreciação Lucro Imposto Fluxo    
  antes da normal após a de renda de caixa    
  depreciação   depreciação.   =3-4+2    
               
1 500,00 100,00 400,00 100,00 400,00    
2 500,00 100,00 400,00 100,00 400,00    
3 500,00 100,00 400,00 100,00 400,00    
4 500,00 100,00 400,00 100,00 400,00    
5 500,00 100,00 400,00 100,00 400,00    
6 500,00 100,00 400,00 100,00 400,00    
7 500,00 100,00 400,00 100,00 400,00    
8 500,00 100,00 400,00 100,00 400,00    
9 500,00 100,00 400,00 100,00 400,00    
10 500,00 100,00 400,00 100,00 400,00    
    TOTAL     1.000,00 4.000,00    

Valor presente do imposto de renda a 15% ao ano: $ 501,88

1. Imposto de renda com a depreciação acelerada

  1 2 3 4 5    
Ano Lucro Depreciação Lucro Imposto Fluxo Diferença  
  antes da acelerada após a de renda de caixa do fluxo  
  depreciação   depreciação..   = 3-4+2 de caixa  
               
1 500,00 500,00 0,00 0,00 500,00 100,00  
2 500,00 500,00 0,00 0,00 500,00 100,00  
3 500,00 0 500,00 125,00 375,00 -25,00  
4 500,00 0 500,00 125,00 375,00 -25,00  
5 500,00 0 500,00 125,00 375,00 -25,00  
6 500,00 0 500,00 125,00 375,00 -25,00  
7 500,00 0 500,00 125,00 375,00 -25,00  
8 500,00 0 500,00 125,00 375,00 -25,00  
9 500,00 0 500,00 125,00 375,00 -25,00  
10 500,00 0 500,00 125,00 375,00 -25,00  
    TOTAL     1.000,00 4.000,00 0,00  

Valor presente do imposto de renda a 15% ao ano: $ 424,13

Redução no valor presente do imposto de renda: (501,88 - 424.13) ÷ 501,88 = 15,5%

3. PRÁTICAS FINANCEIRAS CONSAGRADAS

Algumas práticas financeiras têm aceitação universal pelas empresas de diversos portes e com atuação nos variados setores. As principais dessas práticas são as seguintes:

1. Manter os custos fixos reduzidos de modo a reduzir o risco econômico.

Considerando que os preços de venda dos produtos ou serviços e os custos variáveis de uma empresa como dados, quanto menor for o seu custo fixo, mas baixo será o ponto de equilíbrio - este representa o volume de vendas necessário para igualar a receita ao custo total da empresa - e menor será o volume de vendas exigido para obtenção de lucro.

Na empresa ideal, só haveriam custos variáveis, fazendo com que seu pior resultado fosse o lucro zero, o que aconteceria quando ela nada vendesse.

2. Manter um apropriado grau de endividamento de modo a limitar o risco financeiro.

Quando a empresa usa recursos financeiros de terceiros, presume-se que paga por eles uma taxa de juros menor do que sua taxa de retorno empresarial. Desse modo, quando seu lucro operacional (resultado antes do pagamento dos juros) for normal, a empresa estará fazendo alavancagem financeira e, assim, obtendo sobre o capital próprio uma taxa de retorno maior do que aquela obtida pelo capital total,

Entretanto, quando o lucro operacional for reduzido, a alavancagem financeira funcionará em sentido contrário, fazendo com que a rentabilidade do capital próprio seja menor do que a rentabilidade do capital total.

Portanto, como o lucro operacional está sujeito a oscilações, o endividamento precisa ser controlado para limitar o risco financeiro da empresa.

3. Minimizar os estoques para reduzir os custos financeiros

Estoques reduzidos provocam menor necessidade de financiamento e, consequentemente, menor pagamento de juros. Se os estoques estiverem sendo financiados com capital próprio, sua redução significa liberação de recursos financeiros para outras finalidades.

4. Minimizar a necessidade de capital de giro com a redução do ciclo de caixa

A necessidade de capital de giro é função do ciclo de caixa da empresa. Quando o ciclo de caixa é longo, a necessidade de capital de giro é maior e vice-versa. Assim, a redução do ciclo de caixa - em resumo, significa receber mais cedo e pagar mais tarde - deve ser uma meta da administração financeira. Entretanto, a redução do ciclo de caixa requer a adoção de medidas de natureza operacional, envolvendo o encurtamento dos prazos de estocagem, produção, operação e vendas.

5. Maximizar o giro dos ativos operacionais

Todos os ativos operacionais ( instalações, máquinas, equipamentos etc.) precisam de um volume mínimo de operação para que o investimento efetuado neles se justifique economicamente.

O giro de um ativo é representado pelo volume de receitas ou de redução de custos que ele pode gerar direta ou indiretamente, dividido pelo valor do respectivo investimento. Ao maximizar o giro de seus ativos operacionais, a empresa estará extraindo o maior proveito possível deles e , em conseqüência, obtendo a rentabilidade máxima sobre o investimento em cada ativo.

6. Investir em projetos que tenham uma relação equilibrada entre risco e retorno.

As decisões de investimento extremas são projetos com alta taxa de retorno e grande grau de risco ou baixa taxa de retorno e pequeno grau de risco. Nestas duas situações, se a empresa fizer o investimento no projeto, a taxa de retorno esperada será pequena.

Quando o risco e o retorno dos investimento não estão em patamares extremos, a taxa de retorno esperada para o investimento é maior.

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